TEXTOS TÉCNICOS

O alto-falante e a potência elétrica. Mitos e verdades.

O que significa a potência de um alto-falante?

A potência especificada para um alto-falante é a potência que ele suporta sem danos, e não deve ser confundida com a intensidade de som que ele fornece. Portanto um alto-falante de 50 watts significa apenas que ele pode receber até 50 watts sem queimar.

Então um alto-falante mais potente não toca mais alto?

Não. Quem determina a intensidade do som é o SPL do alto-falante e não a sua potência. De acordo com a sua eficiência (SPL), o alto-falante produzirá mais ou menos energia sonora para uma determinada potência a ele fornecida.

Portanto alto-falante de 100 watts, quando alimentado por um amplificador de 50 watts, fornecerá a mesma intensidade de som que outro de 200 watts (se tiverem o mesmo SPL). Comprar um alto-falante mais “potente” na expectativa de obter maior intensidade sonora é o caminho mais curto para a frustração.

Do que depende a potência do alto-falante?

A potência que um alto-falante suporta é, geralmente, determinada pela máxima temperatura que sua bobina móvel pode suportar sem queimar. Esta temperatura depende dos materiais empregados na fabricação da bobina, e principalmente do seu tamanho. É por isto que alto-falantes de grande potência, utilizam bobinas móveis de grande diâmetro.

E o SPL depende do que?

O SPL de um alto-falante é determinado pelo peso do conjunto móvel (cone e bobina móvel) e pelo campo magnético gerado pelo imã. De uma maneira geral, quanto mais leve o conjunto móvel e maior o imã do alto-falante tanto maior será o seu SPL.

Então quem gera a potência elétrica?

Quem gera e fornece a potência elétrica é o CD player ou amplificador. A potência elétrica máxima que um CD player ou amplificador pode fornecer ao alto-falante depende de sua construção e da impedância do alto-falante. Não depende da potência do alto-falante. Assim um amplificador de 100 w RMS, fornecerá 100 w RMS tanto a um alto-falante de 100 w como a um de 1000 w. Portanto, o fato de usarmos um alto-falante de potência maior, não nos trará nenhum acréscimo de intensidade sonora, podendo muito provavelmente ocorrer o inverso.

Qual deve então ser a regra que devemos seguir?

Em primeiro lugar, não devemos usar um alto-falante com potência menor do que o amplificador ao qual ele será ligado, porque com isso estaremos sobrecarregando-o, podendo até provocar sua queima.
Quando ligamos mais do que um alto-falante ao amplificador, a soma das potências dos alto-falantes deve ser maior do que a potência do amplificador.

Por outro lado, usar um alto-falante com potência muito maior do que o amplificador ou toca-fitas, não trará nenhuma vantagem, e pode ser até desvantajoso. Isto porque um alto-falante mais potente, devido a possuir uma bobina móvel grande e um cone pesado, pode apresentar um SPL menor, o que resultará numa emissão sonora mais fraca.

Como é medida a potência elétrica do alto-falante?

A única maneira correta e científica de medir a potência aplicável a um alto-falante é usar o método normalizado pela ABNT que se convencionou chamar de potência RMS. Todo o resto é manobra para confundir o consumidor.

O valor da potência elétrica que um alto-falante suporta depende do método usado na medição?

Sim. E é aí que reside a razão para a confusão. Antigamente usava-se a medição da potência RMS, que é a potência continua aplicada ao alto-falante. No sentido de apresentar valores cada vez maiores, por razões mercadológicas, foram sendo criadas ao longo do tempo, siglas tais como IHF, Potência musical, e mais recentemente PMPO. Todas estas siglas não tem nenhum significado e só servem para lançar confusão sobre o assunto. Tempos atrás, apesar da falta de significado, convencionou-se que a potência PMPO seria 3,6 vezes a potência RMS. Agora, de repente, passou-se a usar o fator seis, e daqui a pouco alguém começará a usar o fator 10 e assim por diante. Os alto-falantes continuarão os mesmos, apenas os números serão maiores. É como se alguém, insatisfeito com a sua estatura, começasse a dizer que tem 160 centímetros ou 1600 milímetros ao invés de 1,60 m. A pessoa continua a mesma, porem o número sugere alguém mais alto.
Isto acaba forçando os fabricantes mais criteriosos a entrar neste jogo para não perder as vendas, onde o grande perdedor acaba sendo o consumidor.

O que fazer então?

O ideal é usar o bom senso. Desconfiar de valores que pareçam exagerados. Comparar o som emitido pelos alto-falantes antes de comprá-los. O fato é que, alto-falantes de mesmo tamanho, com bobinas móveis equivalentes, suportam potências similares. Não é possível que um alto-falante suporte uma potência seis vezes maior do que outro de mesmo tamanho. Alguém acreditaria, por exemplo, que um carro com motor de 1000 cm3 tenha uma potência de 360 HP enquanto outro apresente somente 60 HP? É lógico que não. Uma afirmação desta serviria somente para desacreditar o fabricante que a veiculasse. Então como acreditar nisto no caso do alto-falante? A tecnologia atual está disponível para todos, e o máximo que um fabricante pode conseguir, tendo acesso a uma melhor tecnologia e materiais mais resistentes, é um aumento relativamente moderado na potência. Aqui deveria valer a máxima jurídica de que “quem exagera no argumento, perde a causa”.

Alem disso, existem parâmetros do alto-falante muito mais importantes do que a potência, tais como o SPL, a faixa de frequências, a distorção, etc. Alto-falantes não são dispositivos simples como lâmpadas e como tal não podem ser descritos apenas por um simples número. Infelizmente a potência especificada (e frequentemente exagerada) tem sido o fator determinante na hora da comparação entre alto-falantes. É preciso dar um basta a isto e moralizar o mercado.